domingo, 3 de outubro de 2010

O milagre de Juan Mora


Caros leitores,
A praça de touros de Las Ventas ficou ontem rendida ao toureio de Juan Mora. Eu próprio, assistindo pela televisão, fiquei emocionadíssimo por tudo que estava a acontecer na arena. Confesso que nunca tinha visto Juan Mora tourear, e do que vi fiquei absolutamente rendido por se tratar de um toureiro que não é igual aos outros. Tem a sua personalidade própria e sente o toureio de forma distinta aos demais. Juan Mora está na linha dos toureiros de arte, com uma capacidade interpretativa do toureio fenomenal. Só ao alcance dos predestinados.
E ainda para mais, a maneira fenomenal como arrancou as duas orelhas, no seu primeiro touro, em Madrid, com cerca de 15 passes dados ao touro! Foi uma faena muito inteligente e, mais do que tudo, imprevisível, principalmente quando Juan Mora, ao fim da última serie de naturales, saca da espada, perfila-se para matar e com uma estocada com efeitos fulminantes, o touro cai redondo na arena - é dos poucos toureiros do "escalafón" que execua a faena com o espada de verdade, daí que possa ter executado de imediato a sorte suprema.
Que grande é o toureio. Quem diria que Juan Mora, que este ano apenas toureava a sua segunda corrida, seria capaz de chegar a Las Ventas e colocá-la "boca abajo".

Espero que este triunfo traga ao Juan Mora muitos contratos. Na Feria del Pilar irá substituir o lesionado Manzanares. Para o ano farei questão de ver Juan Mora ao vivo.

Enhorabueno Maestro!

P.S -Este triunfo de Juan Mora recordou-me a última tarde do Maestro Esplá em Las Ventas, no ano passado. Estava na praça e nessa tarde senti o "rugir" imponente de Las Ventas.

Foto: Paloma Aguilar

sábado, 18 de setembro de 2010

Rafael de Paula - Torero de arte (III)























Autor: Fredrik Hagblom
Lebrija (1996)

Rafael de Paula - Torero de arte (II)


Óleo do "Principe de Jerez", Rafael de Paula

Autor: Ramón Gaya (1996)

Rafael de Paula - Torero de arte (I)




Don Rafael Soto Moreno, ou, como ficou mundialmente conhecido no planeta taurino, Rafael de Paula. Figura incontornável da tauromaquia mundial que sempre me fascinou.
No passado dia 9 de Setembro cumpriram-se 50 anos de alternativa dos maiores toureiros de arte da História da Tauromaquia, capaz de levantar uma praça inteira com um unico lance de capote ou da muleta. Isto é a grandeza do toureio. São toureiros como Rafael de Paula que me fazem sonhar e alimentam a minha aficion. Infelizmente, toureiros deste calibre estão em vias de extinção....
O seu ultimo paseillo em Las Ventas aconteceu no dia 1 de Abril de 2006, no festival em sua homenagem, praça absolutamente "rota ante tanta toreria".
Por ocasião dos seus 50 anos de alternativa, dá uma entrevista genial ao diário ABC. Destaco as seguintes passagens do texto:

"Esto es, sencillamente, mi conocimiento del toreo. El toreo se compone de columnas. Las columnas tienen capitel y basamento. Los capiteles de estas doce columnas los componen estos toreros: Joselito el Gallo “Gallito”, Juan Belmonte García “El Pasmo de Triana” (los dos, José y Juan, protagonizaron la Época de Oro del toreo, así reconocida para los restos), Manuel Jiménez “Chicuelo”, Félix Rodríguez, Fermín Espinosa Saucedo “Armillita Chico”, Joaquín Rodríguez Ortega “Cagancho”, Domingo Ortega López, Silverio Pérez Gutiérrez, Manuel Rodríguez Sánchez “Manolete”, Antonio Mejías Bienvenida, Luis Miguel Dominguín y Antonio Ordóñez Araujo".

«La palabra más hermosa y bella que yo he escuchado fue en una serie de entrevistas que hizo Joaquín Vidal a toreros. A Domingo Ortega, le preguntó: maestro, ¿qué es el toreo? Y respondió, “un arte”. Y a continuación: ¿dónde está el toreo? Contestación: “En las palmas de las manos".
"yo he tenido el toreo en mis manos en dos ocasiones, y se me ha ido. Por eso no soy nadie. Y eso es imperdonable. Para un profesional es un fracaso”.
“He estado a merced de los toros, no porque no supiera, sino por mis rodillas. Yo tengo más valor que El Espartero. Pero desde 1971, que estoy operado de las rodillas… ahí se acabó mi vida”.
A entrevista completa poderá ser vista neste enlace: http://www.abc.es/20100912/toros/toreado-fatiguitas-muerte-20100912.html


Fotos: Juan Pelegrini

Picador solitário


Prezados leitores,
Depois de algum tempo parado, por motivos laborais e pessoais, informo que volto à agradável companhia de V. Exas.

Esta pintura é uma das minhas preferidas. A figura do picador. O autor é desconhecido.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Julio Aparicio


Um dos mistérios insondáveis do toureio consiste na estreita convivência que existe entre a glória e a tragédia. Não há nenhuma outra arte onde esta realidade seja tão cruel.

Isto vem a propósito da brutal colhida sofrida hoje por Julio Aparicio em Las Ventas. Depois de no dia anterior em Nimes ter realizado uma magnifica faena, eis que hoje o infortúnio pairou sobre o sevilhano.

O toureiro é uma figura que joga a sua vida todas as tardes. Nunca será demais dizer isto. Estes são os verdadeiros heróis do século XXI.

Espero sinceramente que Julio Aparicio consigo recuperar muito rapidamente. Merece.


Foto: Paloma Aguilar

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Fim de semana Sevilha


Pois é, caros leitores, apenas hoje tenho um pouco de tempo disponível para descrever em modo quase telegráfico a minha estadia em Sevilha.

Cheguei à cidade banhada pelo Guadalquivir ao final da tarde, ao som da pletórica actuação de El Juli na Maestranza no relato da Radio Andalucía Información. Nessa noite, eu e mais um grande amigo meu, andámos a tapear pelos bares à volta da Maestranza. Num desses bares, demos de caras com o matador Dávila Miura, o apoderado do homem da tarde, Roberto Dominguéz que acompanhavam uma não menos famosa Carmen Martinez-Bordiú, neta do General Franco.

Instalámo-nos num hotel no bairro de Sevilha que eu mais gosto. A Triana. Onde se congrega e junta o mais belo de Sevilha. Desde a magnífica vista do rio para a Giralda e Maestranza ,até à alegria e genuidade das suas gentes, passando pelos ínúmeres bares onde se pode ouvir um excelente flamenco ou bailar umas sevilhanas. Pela sua singularidade, destaco o bar "La Cañera". Quando tiver mais tempo, escreverei umas linhas sobre este simpático bar sevilhano.

Bom, mas voltando ao nosso tema. No sábado, a ilusão era máxima para a corrida, onde actuava Morante, Talavante e Luque, com touros de Gavira. Dos três, destaco a actuação de Talavante no seu terceiro touro. Já Morante, nada pode fazer com os dois touros que lhe calharam em sorte. De Luque destaco umas templadissimas verónicas e chiquelinas que realizou. Mas, no computo geral, a corrida foi má.

No domingo houve uma corrida de El Pilar em que se destacam os três ultimos touros do "encierro", infelizmente não totalmente aproveitados pelos matadores de serviço. Castella e Manzanares ainda conseguiram lograr uma orelha cada um. Já El Cid, não conseguiu estar por cima do seu opnente. Uma pena. Mas tenho a certeza que irá dar a volta por cima.
Fotografia: Michael Crousier