sexta-feira, 21 de maio de 2010

Julio Aparicio


Um dos mistérios insondáveis do toureio consiste na estreita convivência que existe entre a glória e a tragédia. Não há nenhuma outra arte onde esta realidade seja tão cruel.

Isto vem a propósito da brutal colhida sofrida hoje por Julio Aparicio em Las Ventas. Depois de no dia anterior em Nimes ter realizado uma magnifica faena, eis que hoje o infortúnio pairou sobre o sevilhano.

O toureiro é uma figura que joga a sua vida todas as tardes. Nunca será demais dizer isto. Estes são os verdadeiros heróis do século XXI.

Espero sinceramente que Julio Aparicio consigo recuperar muito rapidamente. Merece.


Foto: Paloma Aguilar

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Fim de semana Sevilha


Pois é, caros leitores, apenas hoje tenho um pouco de tempo disponível para descrever em modo quase telegráfico a minha estadia em Sevilha.

Cheguei à cidade banhada pelo Guadalquivir ao final da tarde, ao som da pletórica actuação de El Juli na Maestranza no relato da Radio Andalucía Información. Nessa noite, eu e mais um grande amigo meu, andámos a tapear pelos bares à volta da Maestranza. Num desses bares, demos de caras com o matador Dávila Miura, o apoderado do homem da tarde, Roberto Dominguéz que acompanhavam uma não menos famosa Carmen Martinez-Bordiú, neta do General Franco.

Instalámo-nos num hotel no bairro de Sevilha que eu mais gosto. A Triana. Onde se congrega e junta o mais belo de Sevilha. Desde a magnífica vista do rio para a Giralda e Maestranza ,até à alegria e genuidade das suas gentes, passando pelos ínúmeres bares onde se pode ouvir um excelente flamenco ou bailar umas sevilhanas. Pela sua singularidade, destaco o bar "La Cañera". Quando tiver mais tempo, escreverei umas linhas sobre este simpático bar sevilhano.

Bom, mas voltando ao nosso tema. No sábado, a ilusão era máxima para a corrida, onde actuava Morante, Talavante e Luque, com touros de Gavira. Dos três, destaco a actuação de Talavante no seu terceiro touro. Já Morante, nada pode fazer com os dois touros que lhe calharam em sorte. De Luque destaco umas templadissimas verónicas e chiquelinas que realizou. Mas, no computo geral, a corrida foi má.

No domingo houve uma corrida de El Pilar em que se destacam os três ultimos touros do "encierro", infelizmente não totalmente aproveitados pelos matadores de serviço. Castella e Manzanares ainda conseguiram lograr uma orelha cada um. Já El Cid, não conseguiu estar por cima do seu opnente. Uma pena. Mas tenho a certeza que irá dar a volta por cima.
Fotografia: Michael Crousier



sexta-feira, 16 de abril de 2010

Rumo a Sevilha


A meio da tarde partirei rumo a Sevilha para estar presente nas corridas de sábado e domingo. Apetece-me bastante ver em acção o génio de Morante, a imprevisibilidade de Talavante, a elegância de Manzanares e a esquerda de El Cid. As ilusões são máximas. Oxalá os touros colaborem.

Espero que o mau tempo previsto dê tréguas. De qualquer modo, vou equipado para a chuva que vai cair quase de certeza na bela e única Maestranza.
Fotografia: Arjona

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Carta aberta a Manuel Jesus "El Cid"


Meu caro Manuel,

Antes de mais, quero felicitar-te pelo prémio que recebeste no passado dia 8 de Abril. Este prémio - "Oro Taurino de Antique Theatre" - reconheceu-te como o matador de touros que mais se destacou na última década na Real Maestranza de Sevilha. A isto tudo não são alheias as tuas 4 saídas pela "Puerta del Principe". É um prémio justíssimo. Os meus parabéns, caro Manuel.

Não nos conhecemos pessoalmente. Mas isto não impede que te escreva algumas linhas de incentivo.

A primeira vez que te vi ao vivo foi a que me marcou mais. Como não poderia deixar de ser, foi em Sevilha, Manuel. Na tua praça. Perante os teus paisanos. Em Setembro de 2006, lidaste pela primeira vez em Sevilha, numa praça de tanta responsabilidade, 6 touros. Jamais me esquecerei o romper do "paseillo". Tu, sozinho, pronto a enfrentar o mundo. O resultado, como bem sabes, foi um enorme êxito. Pela primeira vez assisti à consagração de um toureiro na Real Maestranza.

Passado uns meses, como se não bastasse, ainda assumes um desafio maior. Matar 6 vitorinos em Bilbao. O desafio foi amplamente superado e, uma vez mais, abriste a Porta Grande de uma praça bastante exigente e com touros, também eles, muito exigentes.

Sei que 2008 e 2009 não foram temporadas redondas para ti. Por isso, caro Manuel, nunca te esqueças daquilo que já fizeste e do que és ainda capaz de fazer. Espero muito sinceramente que hoje na Real Maestranza consigas dar um murro em cima da mesa e dizer ao mundo taurino que continuas bem vivo e cheio de ganas de triunfos. Oxalá o teu lote de Victorinos seja propício para estares "a gusto delante del toro" e mostrar quem é o verdadeiro El Cid.

Mucha suerte para hoy torero!

Recebe um abraço amigo,

BCS

Foto: Manón

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Dia 13


Se para algumas pessoas os dias 13 são considerados dias de sorte, para o toureiro mexicano Arturo Macias os dias 13 não são mais do que puro azar. Depois de ter sido colhido em Valência no passado dia 13 de Março, eis que, precisamente decorrido um mês deste percalce, a 13 de Abril, em Sevilha, torna a ser colhido de forma grave por um touro Palha.
O debute nas arenas espanholas tem-se revelado um autêntico calvário para este matador, pouco habituado ao andamento do touro europeu. Não entendo a ideia de colocar Arturo Macias numa corrida com touros tão exigentes e avisados como são os da ganadaria Palha.
Falha de planeamento ou falta de candidatos para ocupar o lugar?
Por outro lado, e tal como refere Carlos Crivell na sua crónica, "(...) la cornada de un torero es la expresión de máxima entrega de un lidiador en el ejercicio de su profesión. De ahí que hacer hincapié en los aspectos negativos del espectáculo, cuando un torero ha derramado su sangre sobre el albero, tiene mucho de crueldad. Pero la Fiesta de los toros no tiene sentido sin el riesgo. Es verdad que aún en este siglo XXI, tan desnaturalizado por tantos motivos, el toro hiere y puede segar la vida de un torero. La sangre de Macías le dio sentido a la tarde, que hasta entonces era de una pobreza extrema, ya por el juego de lo de Palha, y - hay que decirlo - por las carencias puntuales de los diestros".
Acrescentando ainda que "La noticia que se recordará será la cornada. Y debe proclamarse que es una noticia afortunada, porque maquilla lo que fue un festejo pésimo de principio a fin. Fue una sangre purificadora. Gracias a ella, lo que fue soporífero acabó en grandeza, porque el torero herido es la gran verdad del toreo. Si no hubiera heridos, nada tendría sentido".
Reforço esta última ideia: a grandeza e a verdade do toureio encontra-se no toureiro ferido. Sem o risco e o perigo nada teria sentido numa corrida de touros.
Fotografia: Arjona

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Os Palhas chegam a Sevilha



Um imponente conjunto de 7 touros da legendária ganadaria Palha acabam de ser aprovados pelas autoridades maestrantes para a corrida de amanhã em Sevilha.

A terna será composta por Serafín Marín, Arturo Macias e Ivan Fandiño. Cumpre destacar a o debute do toureiro mexicano Arturo Macias em Sevilha. Não se avizinha tarefa nada fácil para os matadores.

Esta semana de "preferia" sempre está associado às denominadas ganadarias duras e toureiros de segunda linha, mais modestos e que necessitam dar um toque de atenção para melhorar a sua situação profissional.

Uma pena que a maioria das figuras se recusem a tourear corridas deste tipo e deêm preferência ao encaste Domecq.

Isto são touros a sério!

Coleta


A coleta, chamada também antigamente como "castañeta", é o que se coloca por detrás da cabeça do toureiro de cor negra, em forma redonda e feita de cortiça. Tem uma dupla função:
i) protege o toureiro de um possível golpe na cabeça ao cair;
ii) o simbolismo da coleta: desde que os toureiros começam de novilheiros e recebem a alternativa como matador de touros e até à sua retirada é quando se corta o desprende a coleta, com a qual deixam de ser toureiros de forma simbólica.
Esta pintura é de Paco Sanz. Algum dos caros leitores sabe qual o "torero" desta pintura?